Eu era muito jovem

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Putz! Não podia ser verdade, mas tudo levava a crer que era isso mesmo.

Morri.

Mas, como pode? Tudo estava diferente, mas eu estava absolutamente o mesmo, igualzinho. Bom, talvez um pouquinho mudado…

Meu corpo, sentimentos, fome, respiração, tudo igual. Mas, o resto… Minha visão parecia penetrar a mente das pessoas. Bastava olhar e na maioria das vezes eu podia “ouvir” seus pensamentos.

Seres e pessoas estranhas estavam também por todos os lados. Confesso que isto tudo me deixava um pouco atordoado.

O que me incomodava de verdade era minha idade. Mal cheguei aos 22.

E o pior: não tinha a mínima ideia de como aconteceu. Doença não foi (acho…). Assalto? Acidente? Ataque do coração? Que tormento não saber!

E minha mãe que não parava de chorar? E eu ali, sem poder fazer nada.

Resolvi então me afastar em busca de ajuda e de aprender como viver na nova vida. Andei bastante, pra lá e pra cá.

Encontrei gente, muita gente em situação pior do que a minha. Alguns mortos há muitos anos e ainda totalmente perdidos.

Temi ficar como eles e rezei por ajuda, chamei minha avó e meu avô por muitas vezes até que ela me apareceu, de repente.

Levei tamanho susto ao rever minha avó morta, e já ia sair correndo quando lembrei que eu era também um fantasma (que cômico!).

Ela me acolheu e me ajudou a entender o quê, e por que tudo aconteceu.

Do que morri? Hoje já sei e compreendo que tinha que ser. Como foi eu conto na próxima oportunidade. Só peço que confiem em Deus. Hoje e sempre.

Júlio.

Psicografia recebida em 18/11/2020, por Cleber Campos.

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